No final de 2021 chegou ao catálogo da Netflix o filme Hypnotic, que conta a história de uma mulher que, em busca de uma melhor versão de si, procura um renomado hipnólogo. No entanto, depois de algumas sessões, ela se depara com consequências perigosas e mortais.
Hypnotic se aproveita dos mitos envolvendo a hipnose para construir uma narrativa que causa medo em uma ferramenta tão poderosa e homologada pelos conselhos federais de medicina, psicologia, odontologia, terapia ocupacional e fisioterapia.

Veja abaixo 8 erros grotescos desse filme e entenda porque ele faz um verdadeiro desserviço à sociedade.
1. Ninguém apaga durante o transe.
As pessoas quando estão em transe hipnótico, elas estão totalmente conscientes. Elas falam, ouvem, podem se coçar, mudar de posição no divã, pois estão conscientes todo o tempo.
Esse mito acaba sendo um transtorno na clínica porque os pacientes acreditam não estar em transe porque acreditam que vão perder a consciência, como foi sugerido no filme.
2. Hipnose não é soro da verdade.
Como dito antes, a pessoa durante o transe está totalmente consciente, então não existe isso da pessoa contar segredos, falar coisas que não queria. Hipnose não é perda de controle, pelo contrário, a pessoa permanece no controle durante todo o tempo.
3. Hipnose tem resultados rápidos.
Quando você tem realmente um bom hipnólogo aplicando a hipnose, os resultados são obtidos em até 3 sessões. Em Hypnotic, temos um hipnólogo que é vendido como maravilhoso, mas tem pacientes há cerca de 8 meses.
Quando falamos de hipnose, falamos em resultados rápidos. Por isso, não basta escolher a hipnose, é preciso escolher um profissional que seja ético e capaz, como em qualquer outra área.

4. Poder excessivo atribuído às âncoras.
Âncora é qualquer tipo de estímulo que remete você a algum tipo de atitude. Você ouve uma música e lembra-se de uma pessoa, por exemplo, a âncora seria a música. Utilizamos âncoras na clínica, mas em hipótese alguma é do jeito que o filme mostrou.
Em Hypnotic, o hipnólogo simplesmente fala para a pessoa dormir e ela não consegue nem segurar a arma que estava na mão. Ou em outra cena em que uma pessoa mata alguém só porque recebeu um comando por telefone.
Não é assim que funciona o processo de hipnose, novamente, a pessoa está sempre no controle. As sugestões que são dadas em transe passam por um processo de seleção. As sugestões que são contra a moral e vontade da pessoa, elas simplesmente não são aceitas.
5. Não existe um transe que dura horas.
O transe hipnótico é bem pontual. Quando a pessoa sai da clínica, ela já sai fora do transe. Ou seja, não existe uma âncora de reindução para levar a pessoa de volta ao transe, como foi mostrado no filme.
6. Linguagem hipnótica.
Esse ponto é para as pessoas que estão mais por dentro da área de hipnose. Durante todo o filme, o suporto hipnólogo não utiliza em momento algum linguagem hipnótica.
Ou seja, a linguagem dele definitivamente não é a linguagem de um hipnólogo.
7. Postura em clínica.
Em Hypnotic, quando o hipnólogo quando senta pela primeira vez na frente da sua paciente, senta numa posição de confronto. Uma posição de frente para a pessoa e com as pernas cruzadas, sendo que uma coisa tão importante ensinada na hipnose ericksoniana é a necessidade de praticar a empatia. Ou seja, imitando a forma como a outra pessoa se senta.
Como já esperado, o filme, embora uma ficção, só faz levantar mais dúvidas e críticas a uma ferramenta que ajuda tantas pessoas. Marque já sua consulta e comprove os resultados da hipnoterapia.
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